26.3.03

Conservadorismos: O meu amigo Luís Aguiar Santos, Presidente de Direcção da CAUSA LIBERAL, em diálogo ideológico com o mentor do óptimo blog "berliniano" (de Isaiah Berlin, claro) Contra a Corrente, Carlos do Carmo Carapinha, mais conhecido na web por MacGuffin. Diálogo entre conservadores liberais ou liberais clássicos, não sei bem...em que se fala de Burke, Oakeshott e Isaiah Berlin. A ler em baixo:

MAIS COMENTÁRIOS
Comentário de Luis Santos:
”Permita que, depois de ler os posts do seu blog, lhe diga que a única coisa que não faz de si um "liberal clássico" é talvez a pouca apetência pela teoria económica. É uma velha tese minha que um "conservador" oakeshottiano só não se assume inteiramente como liberal clássico porque mantém alguns cantos escuros de desconfiança relativamente a uma "ordem de mercado" (ou "cataláxia"), como Hayek chamou àquilo que não é mais do que a tradução económica da nomocracia oakeshottiana. Julgo que a Escola Austríaca de Economia - que, não por acaso, é burkeana desde Carl Menger e assumidamente com Hayek - é um ponto confluência ainda negligenciado entre liberais clássicos e (falsos) "conservadores" à Burke e Oakeshott - e utilizo as aspas porque creio que o termo que assim empacoto é uma fonte insanável de equívocos.”
Caro Luis: no geral estou de acordo consigo. Mas há que fazer alguns pequenos ajustes. Para isso, voltemos a Oakeshott.
Fala o Luis em “conservador” Oakeshottiano. E muito bem. Nunca é demais lembrar que o conservadorismo de Oakeshott, embora não colidindo com a base do conservadorismo “latu sensu”, é particular e próprio. Se, tradicionalmente, o conservadorismo baseia a sua posição numa crítica à tentativa de substituir um sistema de “direitos” e “deveres” «naturais» por um plano geral de ajustamentos, para Oakeshott esses direitos não devem ser vistos como «naturais», antes como “históricos” e “relativos”. Oakeshott nunca concordou com a natureza “natural” (passo o pleonasmo) e absoluta dos “direitos”. Como ele próprio escreveu em “Contemporary British Politics”, esta visão é uma visão inerente à forma mais simples de concepção da sociedade baseada na “lei natural”. “A verdade é que nós não começamos por ser livres: a estrutura da nossa liberdade é constituída pelos direitos e deveres que, através de um esforço longo e doloroso, foram estabelecidos na nossa sociedade. As condições da individualidade não são limitações; não há nada para limitar. E os ajustamentos dessas condições não são interferência (a não ser que sejam ajustamentos genéricos); eles são a continuação do que foi alcançado.”
Mas eu penso que, ao contrário do que o Luis afirma quando refere a “desconfiança relativamente a uma ordem de mercado”, Oakeshott criticou o liberalismo (que Oakeshott considerava conter resquícios do Iluminismo/Racionalismo) num plano puramente filosófico. Embora reconheça que Oakeshott se tenha posicionado de maneira a distanciar-se do materialismo e economicismo, sei também reconhecer que ele o fez mais no sentido de colocar a discussão num plano mais elevado do que propriamente com o intuito de “criticar” ou “desconfiar”. Tudo porque, como ele defendia, a filosofia política não pode apenas dar voz às opiniões políticas que advêm do “ordinary self-understanding”. O que ele criticou no liberalismo não foi tanto o carácter economicista (caramba: Oakeshott era contrário a qualquer economia planificada e reflectiu sobre isso sem qualquer constrangimento), mas antes uma certa propensão para um historicismo servido por um «pragmatismo». A este propósito, convinha referir que, ainda hoje, decorre um apaixonante debate sobre se a teoria da associação civil de Oakeshott é uma teoria liberal ou se ela é sobretudo uma forma sofisticada de política tradicionalista.
Quanto a Burke, há diferenças. É verdade que o tradicionalismo de Oakeshott não destoa do de Burke. Mas há diferenças de perspectiva. Principalmente porque Oakeshott achava a tradição eminentemente contingencial, difusa e incoerente – e que interessava que assim fosse. Ele próprio afirmou que não é de todo incoerente ser conservador em relação à governação e radical relativamente a qualquer outra actividade.
Oakeshott e Hayek. Embora o pensamento Oakeshottiano não encaixe no liberalismo deontológico, é inegável a existência de pontos de contacto entre ambos. É certo que a filosofia política de Oakeshott é menos atomista e contrária ao individualismo «negativo», próprio do liberalismo clássico (daí que haja em Oakeshott uma suave brisa Hegeliana). Mas basta ler Hayek quando este discorre sobre como deve ser entendido o individualismo, em ”Individualism: true and false”, para perceber onde eu quero chegar... Já para não falar no conceito abrangente de «mercado» preconizado por Hayek.
Finalmente, mesmo correndo o risco de simplificação e de algum atrevimento conceptual, a grande diferença entre o conservadorismo (Oakeshottiano ou não) e o liberalismo, poderá encontrar-se no facto de o conservadorismo estar contra a efectiva concentração de poder, defendendo a dispersão do mesmo, quer ele esteja concentrado no Estado ou no governo, quer numa organização ou num grupo privados, num partido, num sindicato, numa pessoa ou num grupo de. E que, tal como Oakeshott referiu, é o “Rule of Law”, e não um sistema mais ou menos baseado no «laissez-faire», que se poderá opor ao “central social planning” e às nefastas concentrações de poder.

posted by MacGuffin @ 00:27




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17.3.03

Madelin e os Círculos Liberais: O meu político francês favorito fundou uma nova organização, Cercles Libéraux. Podem ler a notícia aqui.

10.3.03

Olavo de Carvalho: O meu brasileiro preferido, em mais um artigo corajoso e genial (aqui). Mas visitem o seu site, Sapientam Autem Non Vincit Malitia, por favor...um site brilhante de uma personalidade brilhante no país da lulanite portoalegrense. A visitar com muita frequência.
Os dois libertarismos: Brink Lindsey, Michael Gilson de Lemos e Gene Callahan - três libertários e o debate de uma questão controvertida lançada pelo primeiro.

5.3.03

Cato dixit: O Cato Institute, um dos maiores expoentes das ideias liberais clássicas e libertárias, no seu modelo think tank, através do seu chairman William A. Niskanen, bota palavra contra a guerra do Iraque, com o nosso agradecimento à Fox News, pela reprodução do texto. Na íntegra, a seguir:

One Last Time: The Case Against a War With Iraq

Tuesday, February 25, 2003

By William A. Niskanen

One last time, let me summarize the case against a war with Iraq — hopefully before the shooting starts.
Secretary of State Colin Powell has provided substantially more documentation for a view that most of us have shared for some time: Saddam Hussein is a tyrant and a liar and he controls some dangerous weapons. But that is not a sufficient basis for another war with Iraq.
The administration has yet to challenge any of the following statements that bear on whether Iraq is a serious threat to U.S. national interests:
• Iraq has not attacked the United States.
• The administration has provided no evidence that Iraq supported the Sept. 11 attacks.
• Iraq does not have the capability for a direct attack on the United States — lacking long-range missiles, bombers, and naval forces.
• Iraq has an indirect capability to attack the United States only by supplying dangerous weapons to a terrorist group that might penetrate the United States. Three conditions, however, bear on the relevance of this indirect capability:
1) Iraq does not have a record of supporting terrorist groups "of a global reach."
2) Iraq is in no way distinctive in its potential for an indirect threat to the United States. A dozen or more national governments that are not friendly to the United States have nuclear, chemical, and/or biological weapons programs at some stage of development.
3) Any terrorist attack that could be clearly attributed to support by Iraq, as were the Sept. 11 attacks to the Taliban government in Afghanistan, would clearly provoke a U.S. military response and a regime change in Iraq.
Other conditions, however uncontested, are not a clear threat to U.S. national interests and there is no clearly correct U.S. response. They include the following: The Iraqi government is clearly a threat to the Iraqi population. The issue here is whether U.S. interests are clearly served by using military force to overthrow a local tyrant. Iraq is also a potential threat to some of the neighbor countries. The issue here is whether U.S. interests are clearly served by a war with Iraq to prevent such a regional threat from being exercised, even if, as is now the case, the major neighbor governments do not support such a war.
A war, of course, is not without costs.
In this case, the major cost of a war with Iraq is that it would undermine the continuing and more threatening war against terrorism. Critical intelligence resources would be diverted to the conduct of the war and away from the war against terrorism. Other governments, whose support is not critical to a war in Iraq, may reduce their cooperation in the sharing of intelligence on terrorists and their willingness to arrest and possibly extradite terrorists. Furthermore, a war with Iraq threatens to enflame the militant Muslims around the world and unify them against the United States. Those of us who live and work in the District of Columbia (and in New York City) would be more threatened by terrorism as a consequence of a U.S. war with Iraq.
One other cost of a war with Iraq is that it would be strongly contrary to the centuries-old principle of international law against preventive wars, the principle by which Americans have always distinguished the bad guys from the good guys. A U.S. violation of this principle may invite a more general breakdown of this important principle.
A third cost of a war with Iraq would be the casualties of innocent people, both Americans and Iraqis, casualties that are likely to be high in an urban endgame for the Iraqi regime.
Compared to these costs, the budget and economic costs of the war, probably less than one percent of one year's U.S. GDP, seem trivial.
In summary, Secretary Powell's articulate enumeration provided more detail on Saddam Hussein's deceits and transgressions but no new information that would make a sufficient case for the U.S. to wage a preventive war with Iraq.

William A. Niskanen is the chariman of the Cato Institute, a former senior economic advisor to President Reagan, and a long-time defense analyst.
Libertários na tormenta: Um artigo traduzindo, do meu ponto de vista, com correcção, a postura dos liberais-libertários no meio do fogo cruzado entre falcões e pombas comunas, que podem ler a seguir:

The Individualist in Wartime

by Daniel McCarthy

The anti-statist, whether he calls himself libertarian, conservative, individualist, or something else, is facing a dilemma right now. He’s under pressure to pick a side in the run-up to war with Iraq, and the choice isn’t pretty.
To one side of him are anti-war Communists and near-Communists. Across from them are respectable-looking militarists. Normally a sane man who values peace and prosperity would not want anything to do with either camp. But there’s something about being caught between the two that makes him feel compelled to choose a side, when the only side he ought to choose is that of his own conscience.
Consider the two factions vying for the anti-statist’s allegiance, starting with the pro-war group. Its members may look normal enough but their arguments, such as they are, make no sense. No good case has been made for invading Iraq. In rare moments of candor, even the war’s supporters admit that it isn’t necessary. Saddam Hussein may well be violating UN Security Council resolutions and developing whatever he can in the way of "weapons of mass destruction," but that doesn’t mean he poses a threat to the United States, let alone an imminent threat. Saddam Hussein is not suicidal, he is not about to launch a pre-emptive WMD attack against the United States. Nor does he, a secular dictator with Christians serving high in his regime, have good reason to trust al Qaeda with WMDs. No credible evidence has linked Saddam Hussein to al Qaeda, and none has come to light to suggest he plans to attack the US. The planned invasion of Iraq is not a defensive war, it’s aggression. It should be clear why any decent person should oppose it.
Iraq, however, is very far away from where most of us live and work. Not so the anti-war protesters, at least if you live in a major city. The evils of the attack against Iraq are not immediately before our eyes, but those of the anti-war protests are. And what are those evils? A local example may serve to illustrate. The main library of my university, Washington University in St. Louis, is undergoing renovation. A wooden wall has been erected around the building’s perimeter to keep students from wandering onto the construction site. The university administration has made the wall available to students and student groups who would like to paint it as a form of publicity. Anti-war groups have taken advantage of the opportunity. Here are four of the slogans they’ve put up:
"Do we use cellphones, or do cellphones use us?"
"Cigarettes are for Capitalistas.""America is Nazi Babylon.""Hunt the Rich."
Not all anti-war activists, even on the Far Left, are as stupid or downright evil as these graffiti suggest. But quite a few are. Neocons at National Review Online and, interestingly, a couple of writers at The Nation, have been hammering away for months now on the point that many of the anti-war protests have been organized and led by unreconstructed Communists, and that among their rank-and-file are legions of Mumiacs and anti-globalization types. There is enough truth to the exaggerated charges of the anti-antiwar press to do the movement real damage. Sane people, even those with solid anti-war principles, do not want to associate with Communists and loons. What’s worse, I know of one person, a thoroughgoing libertarian and devout Christian, who has been so repulsed by what he’s seen of the anti-war movement that he’s now having second thoughts about his own opposition to the war. I suspect my friend is not alone. And he’s an extreme case, someone who is a self-identified libertarian. Less ideologically committed people – that’s most of middle America – are bound to be even more turned off. It would be easy to criticize my friend for wavering and going on a basically emotional reaction against the anti-war movement, but most people do let their emotions color their reason. Even libertarians cannot always avoid it.
My friend’s problem, and the problem of those like him, is that he finds it hard to be anti-war without being part of the anti-war movement. Since he cannot accept the latter, he moves away from the former. He thinks he only has two choices: to oppose the war alongside the Far Left, or to oppose the Far Left alongside the war’s supporters. This perception on his part is reinforced by rhetoric from both factions, each of which makes claims to the effect that "those who are not with us are against us" or "those who do nothing [i.e., don’t join the protests] are as guilty as those who take part in the invasion." Such declarations are intended in part to polarize, to force the individual to choose between the two extremes – misleading extremes, in this case. They are also intended to associate belief with action. If you’re not protesting, you must not be anti-war; or conversely, if you’re not supporting US aggression against a sovereign nation, you must not be against terrorism.
The unstated assumption behind such arguments is the collectivist doctrine that everybody has to pick a team, or indeed that everybody already belongs to a team by default. To stake out an independent position, this doctrine holds, is both untenable and immoral. It’s untenable because the individual, acting alone, cannot possibly be effective. And it’s immoral because the man who believes in something owes it to his cause to be effective. It follows, then, that if he holds any principles at all, he must work with a movement. To go it alone is a waste, and to do it out of principle is "ideological preening." It’s sheer vanity.
This fundamentally collectivist idea, implicitly promoted by the Far Left, the center-Left and so-called conservatives alike, has become part of the background against which Americans (and others) today make decisions. One might say that it has seeped into the "collective subconscious," although I think I would prefer to say that it has seeped into subconscious of many an otherwise sane person. It’s an idea that has to be examined and rejected. No earthly movement has a God-given right to anyone’s loyalty. For a man to be morally obligated to one, he has to have given his allegiance freely.
In concrete terms, that means one should not feel implicated in the idiocies and villainies of the anti-war movement simply because one is anti-war. You’re not a draftee in Ramsey Clark’s army just because you’re not with Bush, and by the same token repudiating Ramsey Clark doesn’t have to mean accepting the attack on Iraq. The individual’s only obligation here is to his own conscience. That doesn’t necessarily make things easy: there’s still the question of what the civilized man can do about the war. It may be that the best thing for him to do is nothing at all; simply minding his own business and refraining from supporting the war. Or it may be that the best thing he can do, according to the dictates of his reason and his conscience, is to join the anti-war protests. But that’s for him to decide; nobody else can tell anyone how best to use his time and talent, and certainly nobody else has any moral claim upon either. To say otherwise is to undercut the entire point of anti-statism. It would be a bitter irony indeed for someone who’s against the war because he’s against collectivism to become a collectivist in order to oppose the war. One does not become a collectivist merely by associating with them – collectivism is not like fleas – one becomes a collectivist by adopting collectivist doctrine. And that, unfortunately, is what otherwise sensible people are doing when they feel compelled to make a choice between absurdities, when all along they ought to follow their own principles.

March 5, 2003
Daniel McCarthy is a graduate student in classics at Washington University in St. Louis.
Copyright © 2003 LewRockwell.com

Chicago Boys: Um blog interessante, pleno de links e mais links, entre os quais para o blog Valete Fratres! do meu amigo (brasileiro ?! não sabia) João Noronha.
Oh João, porque é que nunca disseste que és compatriota do camarada Lula ?
Falando sério, o blog é interessante, vale a pena, e podem aceder a ele, aqui.

28.2.03

Guerra, falcões e pombas comunas: Isto é um desabafo. Estou, na verdade, farto deste tema, de uma guerra que apesar de ainda não ter rebentado, se instalou definitivamente no ar que respiramos, instigada por gente que pretende ver o mundo como um cenário bélico permanente, com o alibi do combate ao terrorismo. A liberdade na boca destes falcões é sinónimo de armamento, de Estado policial e de insegurança cidadã.
O enfraquecido e ditatorial Iraque é o alvo, mas não existem ligações de Saddam Hussein a Osama Bin Laden e à Al-Qaeda. Armamentos e ditadura também têm outros países...e a guerra, se formos por aí, nunca mais parará e o Estado, aquele grande Leviatã, nos países que alinharem nesta senda bélica, justicialista e imperial, mais uma vez ganhará razões para o seu robustecimento, crescimento e domínio, e não para o seu emagrecimento, como defende qualquer liberal que se preze.
Estes falcões de liberais têm muito pouco...a guerra, de uma forma geral e o clima prévio em que temos vivido - ainda para mais esta guerra que se avizinha a um Iraque de papel, em que não está em jogo qualquer legítima defesa, ou resposta a uma agressão - não é aliada da liberdade.
Mesmo certos liberais, alguns deles meus amigos, estão a cair na esparrela do belicismo desenfreado, mascarado de combate ao terrorismo, e esquecem-se daquilo que devia ser o seu maior objectivo: o crescimento dos espaços de liberdade.
Por outro lado, metem-me dó as pombas comunas e porto-alegrenses que por aí andam, do Bloco de Esquerda ao Dr. Mário Soares, e que fundamentalmente enfermam de anti-americanismo e borrifam-se na grande questão da liberdade.
Entre um Bush universalista puxado pela locomotiva neo-conservadora dos Kristols e quejandos, propulsores do Grande Império e os antiglobalistas do preconceito anti-americano e anti-mercado, sinto-me um pouco isolado, com meia dúzia de resistentes, como aliados, para quem o valor máximo em que se tem de pensar permanentemente é a liberdade.
O 11 de Setembro não pode servir de alibi para tudo...

26.2.03

Lobo Xavier, Manuel Monteiro e o novo partido da direita: António Lobo Xavier dixit, hoje no Público : (...) Quando lhe passar o entusiasmo, Manuel Monteiro verá que está rodeado de eurocépticos por todo o lado. Pouco mais lhe restará, então, do que explorar os descontentamentos gerados pela crise económica. Em lugar dos grandes princípios, ver-se-á obrigado a recorrer a um discurso oportunístico e heterogéneo, cujo único cimento só poderá ser o do populismo; a tentação de constituir mais uma oposição ao Governo vai ser enorme, e a direita, nessa altura, dificilmente o considerará como um dos seus (...).
A existência, mesmo de um partido populista de direita, num cenário de estagnação e de águas mortas, como o que temos hoje, pode ser útil de um ponto de vista liberal-libertário, como o surgimento de um seu aliado preferencial, contra o estatismo imperante. Uma revolta (liberal) das classes médias seria mesmo conveniente. Claro que apesar de algumas incongruências no discurso de Manuel Monteiro, como por ex. sobre a melhoria do capitalismo e mesmo com possibilidade de o oportunismo ser um risco, penso que os liberais-libertários poderão ganhar mais com um partido destes do que perder. A propósito vide artigo que Murray N. Rothbard um dia escreveu sobre a matéria (aqui).
Se o novo partido tiver uma apreciável dose de anti-estatismo, meu caro Lobo Xavier, why not ?
Alain Madelin: Gosto muito deste actual exemplar único de político liberal em França, que é no caso da intervenção do Iraque pró-intervenção - o que não é o meu caso, sabendo, todavia, que como liberal anti-intervenção estou manifestamente no campo minoritário no seio dos liberais-libertários - mas não percebo porque é que diz que nos EUA seria Democrata e não Republicano !?
Os Democratas são mais liberais do que os do GOP ? Nem por sombras... O Madelin andará um pouco confuso nestes dias...
Mas de toda a maneira, leiam o artigo do Le Figaro sobre Madelin, a seguir:

Une fois de plus, l'élu libéral a pris le contre-pied de la classe politique
Madelin, premier des va-t-en-guerre


E. Z.
[25 février 2003]

Seul contre tous, il adore. Comme s'il y puisait un surcroît d'adrénaline, une motivation supplémentaire. Comme s'il y trouvait une nouvelle confirmation de sa supériorité sur ses pairs myopes et incultes.
En ce moment, il est servi, Madelin. Seul, ou presque, contre tous les opposants à la guerre, toute la classe politique, tous les journaux, toutes les associations, les Eglises, l'extrême gauche et l'extrême droite. Les sondages.

«Je ne suis pas seul dans le monde.» Il jubile, Madelin. Il rentre à peine du Kurdistan, où se réunissait l'opposition irakienne. «C'est toujours mon drame. Je suis le seul à être pour la liberté, le droit...»

Dans sa prime jeunesse déjà, alors que toute sa génération vouait un culte à Mao et Che Guevara, il faisait le coup de poing dans le camp des «anticommunistes primaires». On le traitait de «facho», il affirmait défendre la liberté. Derrière le rideau de fer. A Cuba. Dans les années 80, il deviendra le plus tonitruant, et le plus brillant propagandiste des expériences de Reagan et Thatcher. Chirac, Balladur et les autres prirent rapidement leurs distances avec leurs modèles anglo-saxons. Madelin, non. Au contraire. Au fil des années, il approfondit sa réflexion, creuse son sillon, tire toutes les conséquences de sa filiation idéologique, sort peu à peu du champ économique dans lequel il s'est longtemps cantonné, pour aborder les rivages de l'international, du droit, et même de la philosophie politique.

Peu à peu, on découvre que le libéral, comme son frère ennemi marxiste, est un matérialiste conséquent, qui se méfie du politique et de l'Etat. En 1986, il déclare que son ministère de l'Industrie devra un jour disparaître. Au début des années 90, il est un des rares à s'opposer à la politique du franc fort. Il est même hostile à la monnaie unique européenne. Et Gilles de Robien se souvient sans doute encore des tombereaux de mépris que Madelin déversa sur lui, quand il introduisit les 35 heures dans la législation française. En 1994, au contraire de tous les ministres UDF, il choisit Chirac contre Balladur.

Mais, devenu ministre des Finances, l'iconoclaste se retrouve d'accord avec la technostructure de Bercy pour augmenter massivement les impôts et protéger la valeur du franc ! Heureusement pour son image, Alain Juppé a la bonne idée de le virer. Mais Madelin ne fait rien politiquement de l'extraordinaire popularité que cela lui procure. En 1998, il est le seul à ne pas agonir d'injures – les soutenant même en sous main – les quatre présidents de région, Blanc, Millon, Soisson et Baur, qui ont accepté les voix des élus du FN. L'UDF se coupe en deux ; Madelin est ravi ; il a sa «petite boutique» et le «magot» d'argent public qui va avec, pour se lancer dans l'aventure de la présidentielle.

Mais en dépit d'une campagne «moderne» et festive, c'est la désillusion : même pas 4% des voix. Tout juste une «niche» marketing. Les autres, les prédateurs de la politique, à gauche comme à droite, ont repris beaucoup de ses idées, mais lui ont laissé le mot «libéral». Ce libéralisme revendiqué fut à la fois son titre de gloire et sa malédiction. Sa marque de fabrique et sa prison dorée. En France, un libéral est forcément qualifié «d'ultra-libéral».

Aux Etats-Unis, a-t-il coutume de dire, il serait un démocrate et non un républicain. Libéral conséquent, il est pour la libéralisation des drogues douces, contre le contrôle de l'immigration, pour le pacs. Mais par sa sociologie, par l'histoire du mouvement libéral en France, par le rapport particulier que celui-ci a toujours entretenu avec l'Etat, Madelin a un électorat introuvable.

Il n'en a cure. Il se veut un libéral intégral. Il soutient avec véhémence, au nom du droit international, l'intervention occidentale au Kosovo. Le droit d'ingérence cher à Kouchner a toutes ses faveurs. Il défend Israël, «seule démocratie de la région». Il est pour le «droit des peuples» quand toute la tradition diplomatique française ne connaît que le «droit des Etats».

Avec cette nouvelle guerre du Golfe qui s'annonce, il cache plus difficilement le bon vieil atlantisme derrière l'hostilité au tyran sanguinaire. On songe au cynisme désabusé d'un Pascal : «Ne pouvant fortifier la justice, on a justifié la force, afin que le fort et le juste fussent ensemble.»

Mais Madelin répond qu'il «sera mieux dans sa peau que certains dans quelques semaines quand les archives irakiennes s'ouvriront». Que Saddam Hussein «n'est pas un dictateur comme les autres. Il a été condamné». Que «la résolution 1441 du Conseil de sécurité donne le droit aux Américains d'intervenir». Mais qu'il n'a jamais fait de l'ONU «une balance du droit international». Pour autant, Madelin reconnaît que les «Américains ont été de très mauvais scénaristes. Pas besoin d'avoir Hollywood pour faire ça. Ils ont tort médiatiquement et donc politiquement». Les «studios» devraient l'engager.




24.2.03

A política internacional dos EUA e a guerra contra o terrorismo (2) : Para ver o ponto de vista libertário dos anti-guerra naveguem até Antiwar.com de Justin Raimondo.
A política internacional dos EUA e a guerra contra o terrorismo (1) : Sobre esta temática tão actual vide o enorme dossier que o Independent Institute nos proporciona (aqui).
A política internacional dos EUA : Sobre esta matéria existe um precioso ensaio, cuja apresentação, com o nosso agradecimento a www.libres.org, se encontra a seguir:

UN ESSAI POUR COMPRENDRE LA POLITIQUE EXTERIEURE AMERICAINE
C’est un essai (Special Providence American Foreign Policy and how it changed the world, Century Foundation, 2001) qui propose au lecteur un véritable panorama de ce que les Américains ont entrepris dans le monde. Il est très utile dans le contexte actuel pour comprendre et juger au-delà des idéologies et de la désinformation ambiante.

L’auteur, Walter Russell Mead, journaliste et chercheur au Conseil des relations étrangères, est déjà connu pour avoir publié un livre (Mortal Splendor : The American Empire in Transition) sur les mutations des politiques américaines après la fin du communisme. Il est un excellent connaisseur non seulement de l’histoire de son pays mais aussi du reste du monde et apporte un éclairage extrêmement intéressant et original sur les relations mondiales. Son analyse part d’abord d’une difficulté certaine : la démocratie est le plus mauvais régime pour pouvoir mener une politique étrangère cohérente. La pression de la rue (voir les dernières manifs en Europe), le rôle joué par les Assemblées (surtout dans le cas des Etats-Unis), la puissance des médias sont de véritables obstacles, mais aussi, souvent, des soutiens, dans la clarification d’une position sur le plan international. Pourtant, à la fin du XXe siècle, en dépit du succès temporaire des dictatures, il semble que les démocraties aient pris le dessus sur la scène internationale et qu’il ait été plus efficace d’être une démocratie qu’un pays totalitaire.
Russell Mead jette un regard attentif non pas seulement sur le dernier siècle mais plus loin, à partir du milieu du XVIIIe siècle, et met en évidence la tradition des relations étrangères aux Etats-Unis, et le rôle extrêmement important qu’elles ont joué dans les élections et les transformations subies par le pays. Pratiquement tous les présidents américains qui se sont succédés pendant 140 ans après la Déclaration d’Indépendance, depuis George Washington jusqu’à Wilson, ont envoyé des troupes à l’étranger. En guerre « permanente » contre la Grande-Bretagne, ils ne l’ont jamais été contre la France (nos anti-américains de service le savent-ils ?) malgré quelques escarmouches du temps de Napoléon III à propos de la « marionnette » au pouvoir au Mexique, l’empereur Maximilien. Sinon, les Américains ont été présents partout dans le monde dès le début du XIXe siècle : en Amérique latine, à Cuba, Haïti, Méxique, Pérou et Argentine ; en 1860, des navires américains ont été envoyés en Méditerranée pour nettoyer la mer des pirates venant de Tripoli et d’Alger, en 1843, des marines interviennent au Libéria et à Canton en Chine pour protéger des officiels américains, en 1871, des troupes font face à une attaque des Coréens à propos d’un contentieux économique. Enfin, en 1863, en pleine guerre civile, des marines débarquent au Japon et au Panama.
Toutefois, ces interventions, quelle que soit leur fréquence, ont un dénominateur commun : elles ont toujours été provoquées et ne sont pas venues de l’initiative des Etats-Unis sauf lorsque la situation devenait dangereuse. D’ailleurs, la participation des Etats-Unis aux deux guerres mondiales du XXe siècle est intervenue après qu’ils soient attaqués. Toute l’histoire des relations étrangères des Américains est due, en très grande partie, à l’évolution des événements sur le globe et tire ses racines, d’après l’auteur, de quatre grandes écoles politiques. La première, ce qu’il appelle l’école hamiltonienne (d’après l’homme politique Alexander Hamilton), prône une politique basée sur la défense des intérêts économiques et sur la liberté du commerce. Exemples : les interventions dans le Pacifique et au Panama. La deuxième école, wilsonienne, (d’après le président Thomas Woodrow Wilson) serait plus portée vers les valeurs morales et humanitaires, comme l’envoi des troupes en Somalie, Haïti ou au Kosovo. La troisième, le courant jacksonien (Andrew Jackson) serait caractéristique par le désir d’intervenir partout dans le globe où les intérêts des Etats Unis sont en jeu ou non (Cuba, Golfe). Enfin, la dernière école est celle de l’isolationnisme ou jeffersonniste (d’après Thomas Jefferson) et est représentative du comportement des Etats-Unis à la veille des deux guerres mondiales ainsi que du discours politique de…George Bush jr. en 2001. En effet, lors de son Discours d’investiture et sur l’état de l’Union en janvier 2001, Bush a affirmé que les Etats-Unis devraient se désengager sur le plan international, a critiqué Clinton à propos de Haïti et demandé le retrait des troupe stationnées dans les Balkans. C’est le 11 septembre 2001 qui a changé la donne…
Mead insiste sur le fait que ces 4 courants ne sont pas figés, ils s’entrecroisent tout au long de l’histoire américaine qui est beaucoup moins simple que ne le pensent les anti-américains français.
Bogdan Calinescu